quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Circuito de uma (quase) loucura

Travesseiro. Sonhos - e que sonhos! - E lá estava exatamente onde queria estar. Com toda aquela grama, tão verde e com um cheiro, como diriam os caipiras da cidade, de mata. E era um cheiro de mata que entrava pelo nariz e ia até... até o coração.
Vai para o coração e mexe conosco. Um cheio de mata tão forte que fazia parecer que ele era parte da mata. Não era mais apenas um observador daquele quadro - ele era o quadro e fazia parte dele -. Parte daquele céu ameaçando chover, parte daquele capim - e que vale mais que ouro! -, parte daquele boi atrás da montanha...
"Ora, mas qual boi? Endoideceu, foi?" disse a tua namorada quando soube do pensamento dele.
"Sim, é um boi! E dos bonitos!"
Em um lugar com muitos loucos como ele, explicara que "como pode não haver um boi naquela paisagem onde era explícito a existência do boi, exceto pelo fato de ele não estar ali?"
Foi preciso prendê-lo com a camisa. Já passara dos limites. Até a imaginação tem seu fim.
...Travesseiro!
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Texto inspirado em "Circuito Fechado" de Ricardo Ramos.

Um comentário:

Gabriel Ribeiro disse...

O travesseiro
travessamente pensado
como uma doce travessia
chegando do outro lado.

Adorei. Mas não é tão quase louco. É um sonho belo!