domingo, 27 de abril de 2008
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Ironia ilimitada
Ah, mas ele odiava quando ela dizia aquilo.
Como ela dizia aquilo...
Ultrapassava todos os limites.
___
- Perdoa-me, sim?
Como ela dizia aquilo...
Ultrapassava todos os limites.
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- Perdoa-me, sim?
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Ironia urbana
Pegou a caneta. Puxou para si um pedaço de papel.
Não sabia o que escrever, pela primeira vez. Sentimento que nunca havia tomado conta dela. Estranhou por alguns momentos, mas logo se conformou. Começou a pensar no que fez no dia, em busca de algum fato que trouxesse fôlego para escrever. Busca em vão.
Lembrou do rosto das pessoas no metrô, das aulas insuportáveis que a matavam a cada segundo, das notas no mural, do barulho da rua, da multidão de pessoas que havia no ônibus (como pôde caber tanta pessoa em um ônibus? Havia aprendido que dois corpos não ocupavam o mesmo lugar no espaço, ao mesmo tempo. Estava claríssimo que isso não era verdade). Procurou nos seus sentimentos.
Mas que sentimentos? Havia tempos que não sabia o que era sentir alguma coisa de verdade. Mal sentia o gosto da comida e o ar poluído da cidade... Procurou algum traço na multidão de pessoas.
Não havia ninguém que chamasse a atenção. Que chamasse a atenção suficiente, na verdade. As pessoas eram incrivelmente e surpreendentemente iguais. Até que viu um idoso. Um idoso muito engraçado.
Andava de jeito apressado, bem desengonçado, tinha um problema na perna. Uma barba no estilo Papai Noel. Roupas de muito tempo atrás e cheiro "de velho". Expressões fundas, sinais de experiência. Olhos opacos... Não! Reparando bem, eram olhos vivos, em chamas. E foi isso que chamou a atenção. No que o velho foi atravessar a rua, pá!
E decidiu que definitivamente não havia idéias para escrever.
___
Há mais coisas entre as palavras aqui que qualquer um possa enxergar.
Não sabia o que escrever, pela primeira vez. Sentimento que nunca havia tomado conta dela. Estranhou por alguns momentos, mas logo se conformou. Começou a pensar no que fez no dia, em busca de algum fato que trouxesse fôlego para escrever. Busca em vão.
Lembrou do rosto das pessoas no metrô, das aulas insuportáveis que a matavam a cada segundo, das notas no mural, do barulho da rua, da multidão de pessoas que havia no ônibus (como pôde caber tanta pessoa em um ônibus? Havia aprendido que dois corpos não ocupavam o mesmo lugar no espaço, ao mesmo tempo. Estava claríssimo que isso não era verdade). Procurou nos seus sentimentos.
Mas que sentimentos? Havia tempos que não sabia o que era sentir alguma coisa de verdade. Mal sentia o gosto da comida e o ar poluído da cidade... Procurou algum traço na multidão de pessoas.
Não havia ninguém que chamasse a atenção. Que chamasse a atenção suficiente, na verdade. As pessoas eram incrivelmente e surpreendentemente iguais. Até que viu um idoso. Um idoso muito engraçado.
Andava de jeito apressado, bem desengonçado, tinha um problema na perna. Uma barba no estilo Papai Noel. Roupas de muito tempo atrás e cheiro "de velho". Expressões fundas, sinais de experiência. Olhos opacos... Não! Reparando bem, eram olhos vivos, em chamas. E foi isso que chamou a atenção. No que o velho foi atravessar a rua, pá!
E decidiu que definitivamente não havia idéias para escrever.
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Há mais coisas entre as palavras aqui que qualquer um possa enxergar.
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