Beto era o que qualquer um chamaria de "exemplo". As mães de seus amigos faziam aquelas comparações terríveis "você deveria ser como ele, filho maleducado!". E deveras burro, de fato. Dever? Mas dever o quê? Dever o quê a quem? Beto já havia se cansado de tantas comparações. E o pior, com ELE! E eram mentira.
Beto fazia-se otimista. Só ele e o travesseiro sabiam que não era bem assim. Na verdade, não era nada assim. Sempre achou que não era bom o suficiente, que poderia fazer melhor e que, se ele fizesse, não haveria de dar certo.
Obviamente - mentirosamente! -esses pensamentos iam voando pelo céu azul antes de encontrar-se com os amigos. O importante era sorrir (e enganá-los).
Os pais de Beto nunca estavam lá. Quer dizer, estar eles estavam, mas era como se não estivessem. Maldade falar assim, mas é que... Beto sabia como era. Estavam tão preocupados com o trabalho, com isso e com aquilo... menos com ele! Claro que toda a preocupação era em torno de Beto. Mas ele precisava de um minuto pra ele. Um minuto pra contar como foi o dia. Um minuto para contar o que estava certo. E contar o que não estava, também. Um minuto pra ele e com eles. Seria pedir minuto? Sim, talvez seria, já que existiam tantas outras coisas...
Baixa estima sempre andava com Beto. Beto sempre andava com Baixa estima. Seriam lá grandes amigos? Melhores amigos? Companheiros? Não importa.
...Estavam sempre juntos.
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