Gostava de mudanças. Mudar sempre é bom, dizia. O que ainda não sabia é como reagir quando...
Há tempos estava acostumado com as mesmas coisas. Com os mesmos amigos, os mesmos lugares e os mesmos hábitos. Nada de mais, até aí.
Quando aquele amigo morreu, ficou desnorteado. Muitos diziam que não deveria ficar assim, que isso passa, que é a vida, que ele estava em um lugar melhor... mas ele tinha o direito de ficar chateado, sim, claro que tinha; sou eu, é ele, somos nós. Nada mais justo e ninguém garante nada: ele ainda pode estar sofrendo.
Ele ainda poderia precisar daquele abraço, daquele momento de silêncio, daquele olhar e de rir dos problemas, fazendo-os parecer míseros pontos no espaço. Ele precisava ou vaidade?
Não, não; é claro que ele precisava, não sabia viver sem isso, não queria viver sem isso! Mas como?, como se eles não poderiam mais se ver ou se falar?
Bobagem, eles sabiam como.
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